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AAO: Um pouco de história
Por Manoel Baltasar Baptista da Costa Na década de 70 eclodiu no Brasil o movimento de agricultura alternativa, em um primeiro momento no âmbito da agronomia, principalmente pela contribuição de José Lutzemberger, que com sua cultura, carisma, fundamentação, crítica e espírito inovador sensibilizou expressivo número de agrônomos a repensar seus paradigmas e fundamentos técnico profissionais.
Estava em evidência no país o modelo da revolução verde, fomentado pelas políticas públicas do projeto governamental de modernização da agricultura, quando se formaram os primeiros grupos de estudo e de contestação a tal projeto no país. Movimento esse que ganhou maior expressão no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, se expandindo posteriormente para Bahia, Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.
Na segunda metade dos anos 70 constituiu-se na Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo São Paulo – AEASP o Grupo de Agricultura Alternativa – GAA, que em 1985/86, com a alteração da direção política da entidade passou a atuar em espaço cedido pela TAPS – Tecnologia Apropriada à Promoção da Saúde1.
O Grupo de Agricultura Alternativa mantinha uma biblioteca, continuou atuante e em 28 de maio de 1989 fundou a Associação de Agricultura Orgânica – AAO em Caucaia do Alto, município de Cotia, com a adesão de cerca de 100 pessoas entre produtores, agrônomos, técnicos e consumidores de 6 estados brasileiros2.
Tratava-se do grupo original, renovado e ampliado.
Em 1989 foi cedido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento - SAA o espaço no Parque da Água Branca onde a AAO instalou sua sede, inaugurada em 27 de março de 1990.
Em 1991 a AAO recebeu a incumbência da SAA de gerir a Feira do Produtor Orgânico do Parque da Água Branca, que inaugurou em 23 de fevereiro de 1991, com 12 produtores credenciados.
Foi a primeira ONG brasileira a criar normas de produção orgânica centradas na realidade local, contemplando os critérios básicos para os agricultores se credenciarem na Feira do Produtor Orgânico. Destaque-se que as normas originais da AAO tinham um caráter educativo, orientador e normativo; não punitivo.
Desde o início da década de 90 a AAO esteve bastante envolvida em articulações e ações com o movimento de agricultura alternativa e agroecológico do Brasil e da América Latina.
Participou da idealização, da fundação e da primeira diretoria do Movimento Agroecológico Latino Americano – MAELA, constituído em São Paulo em 1992, na semana que antecedeu a Conferencia Internacional da IFOAM.
A entidade foi a coordenadora geral da 9ª. Conferencia Científica da IFOAM, realizada em São Paulo em novembro de 1992, em parceria com a ASPTA, IBD, MOA e IFOAM.
Participou de vários eventos sobre Agroecologia promovidos pelo MAELA na Bolívia, Peru, Uruguay e Venezuela.
Cabe à AAO a responsabilidade pela criação da Comissão Técnica de Agricultura Ecológica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo - SAA/SP, na qual teve atuação expressiva na organização e realização de ações no âmbito da pesquisa, das políticas públicas, da normatização e comercialização de produtos orgânicos, e na capacitação de recursos humanos.
Realizou pesquisas sobre agricultura orgânica apoiadas pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente, em convênio com a FUNDACENTRO produziu vídeo sobre a problemática dos agrotóxicos e a produção orgânica, integrou a Rede de ONGs da Mata Atlântica, participou da organização e da realização dos Encontros Regionais de Agricultura Alternativa – ERAA, o 1º realizado em Taubaté em julho de 1990, e o 2º. em Botucatu em 1993, e do I Simpósio de Agricultura Ecológica realizado no IAC.
Esteve envolvida em colaboração com Cuba, onde participou do 1º Encontro de Agricultura Orgânica de Cuba como convidada oficial.
A trajetória da AAO inclui ainda a luta contra a privatização do Parque da Água Branca, em parceria com a Associação dos Amigos do Parque3, o apoio à constituição da COOPERNATURA, que agregava os produtores orgânicos e tinha sede em São Roque, entidade que não se consolidou, possivelmente por ter sido criada antes de sua real necessidade.
A Instituição colaborou na idealização e na execução das duas versões do Premio Banespa Agro ambiental, e no decorrer de toda sua existência tem envidado esforços no treinamento e capacitação de recursos humanos, incluindo técnicos, agricultores, estudantes, leigos.
A entidade teve assento também no 1º. Comitê de Nacional de Produtos Orgânicos, grupo que consolidou a Portaria Normativa 007 do MAPA de 1999, que foi a base para a elaboração da lei Nacional da Produção Orgânica, em fase de regulamentação.
Em sua trajetória a AAO ganhou credibilidade e expressão devido à uma postura e ação política e técnico científica fundamentada, independente, crítica, pautada pelo interesse coletivo, e tendo como foco central a promoção da agricultura orgânica enquanto alternativa coerente e sustentável em âmbito sócio ambiental.
A expressão e a dimensão política alcançadas pela AAO devem ser creditadas ao empenho de seus associados, aos agricultores, aos dirigentes, aos simpatizantes e colaboradores nas esferas técnica, produtiva, política, científica, organizacional.
1 Dirigida por Hildegard Richter Broomberg, a Higa, que sempre deu grande apoio à AAO.
2 São eles Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
3 Presidida na época por Paulinho Nogueira.
Veja também:
História da Agricultura
Orgânica
Conselho Deliberativo da AAO
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